segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A palavra que me cura

Você pode me dizer que a vida é bela, que no fim tudo acaba bem. Pode ser sincero e pode ser falso - de nada adiantará seu esforço. Pode querer alegrar meu dia com cócegas e chocolates, mas de nada vai servir, porque hoje não é um dia como os outros.

Precisar ser feliz já não se apresenta como uma obrigação pra mim, nem tampouco aparentar felicidade. Já não me importa mais se meu sorriso é a perfeita demonstração de que problemas são superáveis. Não me interessa se fico com cara-de-bunda quando séria, não quero saber.

Talvez eu não seja um girassol-sem-sol. Talvez eu apenas ame a noite.

A despeito do sol que vermelheja, hoje o dia amanheceu cinzento, como a maioria das manhãs. Não há nada de interessante no fato de minha alma estar daltônica, mas quero que compreenda: só vou querer papo se você falar a palavrinha mágica que me cura e que salva a minha vida. Nada de beijos, de toques. Apenas me olhe, e olhando nos meus olhos, me diga a palavra. Me ame com a beleza das rosas secas e salve o meu dia.




"E se me achar esquisita,respeite também.Até eu fui obrigada a me
respeitar."
. Clarice Lispector.