segunda-feira, 24 de setembro de 2007

E não é que nem existiu?!


Rolou. Pensei que estava tudo bem: Finalmente tinha superado a paixãozinha de anos. A distância de um estado só facilitaria a cicatrização da ferida tão chata que havia, enfim, sido cauterizada.

Poxa, tudo estava tão perfeito que chegava a me emocionar. A conversa batida, a pizza, a coca-cola morna e a noite sem sal. Bem previsível. Bem como eu esperava que fosse, bem como eu planejava para uma ocasião de esquecimento.

Mas o tiro me saiu pela culatra. Mal imaginava que não havia o que esquecer, tampouco o que cicatrizar.
Houve, em verdade, um grande desperdício. Páginas de diário. Chocolates e filmes românticos. Cartões telefônicos, quantos! Lágrimas tolas derramadas por olhos iludidos. Pudesse, pediria reembolso, já que a propaganda de um amor eterno foi enganosa.
Só essa sensação de vazio que não é legal. Bah... Vou parar de reclamar. I will survive! *rs


quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Auto-valorização exacerbada dos seres masculinos

Se ele não me ligar... Ahn, tudo bem. Não tem lá muita importância. Continuarei aqui, com minha mansão (?), meu cachorro, o Caco de pelúcia, eterno sapo dos Muppets Baby, minha geladeira velha, meus livros, meus véio que amo tanto, minhas roupas, meus amigos e tudo o mais que costumo chamar de vida.
Não fique pensando que é a última coca-cola light do deserto, garoto. Acho que, no fundo, você não passa de alguém que apenas passou na minha vida, sem marcar presença, como todos os outros. Vocês todos pensam ser muito importantes.
Um cafuné vai bem, sabe... Tô querendo e tô precisando. Mas não passa disso. Não precisa achar que porque te tratei bem você será aquele a quem meu pai me entregará no longínquo dia em que usarei um véu branco. Se nunca mais der certo da gente se ver, não fará nenhuma diferença: eu sobrevivo. Juro que sim! Então, nem estressa... Faz assim: Me liga, a gente marca um lugar, você vem, me dá um abraço e conversa comigo. Depois, pode ir embora: Eu deixo.


"O que obviamente não presta, sempre me interessou
muito"
Clarice Lispector

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Inaugural

Engraçado.
Hoje, ao escovar os dentes, analisei meu rosto que ainda apresentava as olheiras de estilo, decorrentes de mais uma maravilhosa noite ao lado do CPP, e constatei, com horror, que aqueles olhos não eram os meus. Cheguei a dar risada quando o pensamento racional veio à tona, "Pô, Laura, como assim 'não sou eu'?!", mas agora penso: De quem eram aqueles olhos que estavam a me fitar, e por que me olhavam? Sensação estranha, por ser verdadeira, de que não me conheço mais.

("Ótima" maneira de começar um blog... Tenho que tomar consciência de que isso é um blog, COISA PÚBLICA, não um diário. Adoro toda fase experimental por conta da sinceridade das palavras...)

*Nota mental: Deixar as reticências de lado.

E agora, a minha paixão: Neruda.

Pablo Neruda (na verdade, Ricardo E. Neftalí Reyes Basoalto) deve ter sido um cara legal. Foi romântico, por vezes palhaço e extremamente honesto com seus sentimentos, até que se prove o contrário. Praticamente a versão chilena de nosso querido Vinícius de Moraes, se o objeto de análise for a intensidade do amor que sentia. Seus versos têm o dom de fazer com que minha pele se arrepie de maneira sequer imaginável a quem agora me lê. Duvida? Recite para mim. E traga ao menos uma taça de vinho tinto, por favor, porque a noite há de ser longa (sem trocadilhos).

Para inspirar:
"De outro. Será de outro.

Como antes de meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro.
Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é verdadeiro, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta a tive entre meus braços, minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Ainda que este seja a última dor que ela me causa, e estes sejam os últimos versos que eu lhe escrevo."
*Vai dizer que não é lindo?!*